sábado, 23 de julho de 2016

Rios e ribeiros de Guimarães


Texto-fonte
Rios e ribeiros de Guimarães

                                                         Moinho no Rio Ave. Fotografia de Mário Cardoso (década de 193

A descrição dos rios e ribeiros de Guimarães, em meados do século XVIII, pela pena do Padre João Baptista de Castro (note-se a ausência da Ribeira de Santa Catarina/Rio de Coutos):

Ave. Procede da serra de Agra, e de uma ribeira, a que chamam da Laje; e unindo-se com um regato ao pé da Serra de Cabreira, já com bastante cabedal separa o Concelho de Vieira das montanhas de Barroso, e quatro léguas antes de entrar no Oceano, divide o Arcebispado de Braga do Bispado do Porto. Rega os Conventos de Vairão, e de S. Tirso, e os campos do Lugar Celeiró. Tendo recebido abaixo de Guimarães o Vizela, ou Avizela, que passa por Pombeiro, caminha apressadamente por baixo de várias pontes muito boas, e finalmente vai sepultar-se no mar por entre a Vila do Conde e Azurara. O Padre Vasconcelos, como tradutor de Duarte Nunes , o faz erradamente, como ele, nascer junto de Guimarães, como bem repara Fr. Leão de Santo Tomás. Em algumas partes corre com tanta doçura e suavidade, que obrigou a cantar dele Manuel de Faria:

De donde ouvindo estava o som divino,
Que faz correndo o Ave cristalino.


Todas as terras, por onde este rio passa, e vai regando, são deliciosas, e ele abundante de barbos mui grandes e saborosíssimos. (págs. 108-109)
(...)
 
Caíde. É um ribeiro, que nasce no monte de Santo António perto da Vila de Guimarães, e se mete no Selho. (pág. 115)
(...)
 
Selhinho. Desde o Lugar do Reboto junto a Guimarães corre com o Selho, e se esconde no Lugar dos Sumes, e torna a surgir no Lugar de Serzedelo para se intrometer com o Ave. (pág. 116)
(...)
 
Selho. Tem seu nascimento na fonte de S.Torcato perto de Guimarães, e conduzido com o aumento de outros riachos, vai passando triunfante pelos arcos de diversas pontes, a da Madre de Deus, a de Caneiros, a do Miradouro, a do Soeiro, e se vai esconder no rio Ave por baixo da ponte de Serves, conservando sempre o mesmo nome. No Lugar de Penouços deram as águas deste rio de beber às Tropas Portuguesas, e Castelhanas, que se acharam na batalha da Veiga das Favas. (pág. 116)
(...)
 
Herdeiro. Corre este rio chegado aos muros de Guimarães. Traz sua origem da fonte do Bom-Nome, que está no Casal que chamam de Entre-as-Vinhas, na Freguesia de S. Pedro de Azurém. Tem uma só ponte de pedra lavrada, que chamam de Santa Luzia, mais majestosa do que convinha à pobreza das suas águas. Vai acabar no rossio de S. Lázaro, aonde ajudando-o outro regato, vão ambos incorporar-se com o Selho no Lugar do Reboto. (pág. 124)

[João Baptista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Tomo I, 1762]

 

Poema escrito a partir do texto-fonte

Rios e ribeiros de Guimarães

A vila de Guimarães nasceu
Com dois braços de água a rodear
Que se juntam no final
Para a todos espantar


Do lado sul da cidade
Corre um belo rio
Rio da Vila junto à igreja
De S. Romão de Mesão Frio
Após o Campo da Feira
Acabar de percorrer
Passou pela Rua de Couros
E Rio de Couros passa a ser

O Rio da Vila
À Caldeiroa e Trasgaia vai passar
Abaixo da Rua de S. Lázaro
No fundo da Rua D. João I
Irá desaguar
Já do lado norte do velho burgo
Um regato nasceu
O Ribeiro dos Castanheiros
Ali apareceu
Antigamente Rio Herdeiro se chamava
Anos depois, seu nome mudava
O Ribeiro dos Castanheiros
Em Azurém começou
Depois de muito percorrer
Noutros rios desaguou

Na junção destes dois
Novo rio se vai formar
O Rio Celinho, que atravessa Creixomil
E ao Selho irá desaguar
                                 Gonçalo Magalhães, Gonçalo Luís e Rita, 4º ano, Pegada


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ler+Mar: Visita de estudo à Penha


Visita de estudo à Penha

     Os alunos de Biologia e Geologia dos professores Fátima Alpoim e Arlindo Tomaz, realizaram um percurso à Penha, tendo de seguir um roteiro fornecido pelos professores.   
     Pretendia-se, entre outros, que os alunos procedessem à análise de situações-problema relacionadas com aspetos de ordenamento do território e de risco geológico, observassem as geoformas existentes no granito e desmistificassem a lenda de que a Penha já estivera coberta pelo mar.

     Também as turmas do ensino profissional, na disciplina da Área de Integração, se deslocaram à Penha, para procurar testemunhos que apoiassem a lenda: "Da Penha vê-se o mar". Pretendia-se, ainda, sensibilizar os jovens para a adoção de atitudes de proteção da natureza e levá-los a reconhecer elementos naturais identitários do concelho.







Os alunos das turmas 11ºCT1, 11ºCT2, 11ºCT6 e 11ºCT7, dos professores Arlindo Tomaz e Fátima Alpoim, partilharam, hoje, os trabalhos que desenvolveram no âmbito do projeto "Da Penha vê-se o mar".
Depois de muita pesquisa, da realização de uma visita guiada à Penha e de algumas entrevistas aos comerciantes e visitantes locais, os resultados foram extremamente satisfatórios. Conseguiu-se, assim, com muito sucesso, associar a matéria lecionada em Geologia (Biologia-Geologia) ao conhecimento da nossa terra e das nossas gentes. Um exemplo de trabalho colaborativo entre a Biblioteca Escolar e as matérias do currículo, que leva os nossos jovens a trabalhar as literacias e a torná-los sensíveis e atentos ao espaço de que fazem parte.




















TEXTOS DOS ALUNOS SOBRE A PENHA

                                                   

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Lenda de Santa Catarina


Lenda de Santa Catarina

Textos-fonte


             Lenda De Santa Catarina Da Penha


Trabalhos realizados a partir dos textos-fonte
No dia 2 de junho um grupo de alunos do 10LH4, Fabiana, José e Rui, da escola-sede, deslocaram-se à Escola da Pegada para partilhar as lendas que trabalharam no âmbito do projeto "Da Penha vê-se o mar" com as turmas do 1º e 3º anos, das professoras Ana Lopes e Manuela Rodrigues. Também os seus alunos partilharam as lendas trabalhadas. Uma partilha muito rica e enriquecedora, que encheu o coração de todos.



O Monte da Penha ou Monte de Santa Catarina é o ponto mais alto da área urbana de Guimarães e a partir do seu topo é possível alcançar vistas magníficas que podem estender-se até ao oceano.


Graças às suas características naturais, o monte de Santa Catarina constitui um dos grandes pontos de atração turística de Guimarães, podendo desfrutar de uma paisagem natural única. O santuário da Penha é, sem dúvida, um dos locais mais importantes, pois é um centro de peregrinação ao qual ocorrem muitos fiéis, principalmente no Verão.


Sendo um dos pontos mais importantes e famosos da cidade “Berço da Nação”, o Monte da Penha está envolto em lendas, que contribuem para a criação de um ambiente místico do local.


É o caso da lenda de Santa Catarina, que também dá o nome ao Monte da Penha (Monte de Santa Catarina).


Conta a lenda que, no cimo da serra, morava uma pequena pastorinha que, durante o dia, guardava o seu rebanho no Monte da Penha e, durante a noite, o vigiava contra as constantes ameaças feitas pelos bárbaros. Numa noite, a corajosa pastorinha, de seu nome Catarina, ouviu um enorme alarido e, sem medo da escuridão, decidiu enfrentar o perigo.


Vendo-se isolada, sem ninguém que a ajudasse, decide enfrentar os mouros que atacam o local. Amarra, então, velas acesas na cabeça das suas ovelhas e fê-los descer o monte, não abandonando, no entanto, o seu rebanho. Sempre destemida desceu os montes, mostrando resistência ao inimigo que vinha para atacar.


Vendo tal aparato de luz e fogo, os mouros, apavorados e tementes, logo fugiram. Deste modo, Catarina, a solitária pastorinha, foi canonizada pastora santa, bondosa e fiel pelo seu povo, que se viu agradecido pela vitória.


Em 1702 edificou-se uma singela moradia com a imagem da Virgem Maria onde começou a ser possível o início da devoção cristã. Já em 1947 foi a igreja, trabalhada e desejada por todos, inaugurada, onde Santa Catarina foi evocada para sempre ser homenageada.


                                                                    10LH4, Fabiana, José, Rui






Lenda de Stª  Catarina

Conta a lenda, que  uma  pastorinha, de dia  guardava o seu rebanho no monte da Penha e de noite o vigiava contra as frequentes investidas dos Mouros.

Numa noite, viu do cimo da serra muitas luzes do suposto exército, iluminados por fachos ardentes que se dirigia para Guimarães.

Catarina, tentando defender-se, avistou uma capela, lá dentro tinha muitas velas, pegou  nelas e cortou-as em pedacinhos, colocando-as nos cornos das ovelhas, duplicando o número dos fachos dos Mouros, e tê-las-á encaminhado com o seu cajado de forma a descerem a montanha da Penha, em direção aos Mouros. O exército pensando que era outro que descia a Penha  retirou-se rapidamente.

   A partir daí Catarina passou a chamar-se Santa Catarina, por  ter  salvo o Monte da Penha e em sua honra construíram-lhe uma capela.                                                            

                                               Ana Lopes, 1º ano Pegada


O projeto Ler+Mar participou na atividade que decorre na cidade de Guimarães e que é da responsabilidade do grupo de Desporto. Chama-se "Xico em movimento: Roteiro Cultural", teve lugar no dia 3 de junho, e  a turma do 4º ano da Pegada (da professora Paula Marinho) apresentou, no Largo do Trovador, a dramatização da lenda de Santa Catarina, da autoria de Ana Vieira Brito, da obra Penha, encanto e poesia. A atuação foi fantástica e os jovens conseguiram contaminar os colegas com a sua alegria.

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terça-feira, 19 de julho de 2016

A água no interior da Penha


A água no interior da Penha 

“Na crença popular, muitos montes do nosso país são atravessados por uma tão pujante veia de água, que a planície, sobre que rebentasse, ficaria completamente submergida. Guimarães está ameaçada por um destes dilúvios locais, se quebrar ou remover um certo penedo, que a bem dizer, laqueia a famosa veia. Vem ela, ninguém sabe donde; mas sabe-se que passa no monte de Santa Quitéria, sobe a Penha, depois de descer por baixo do rio Vizela (há um sítio do Vizela onde se ouve distintamente o sussurro da água subterrânea); vai passar no Monte Espinho (Bom Jesus), onde dá algumas penas de água para as fontes do Santuário, e continua lá para os lados do mar”. 

SARMENTO, Francisco Martins – Dispersos. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1933. 
In http://www.amap.pt/page/237




                                                                                                EB 2,3 Egas Moniz

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Lenda dos penedos da Penha


Texto-fonte

Lenda dos penedos da Penha
Há muitos, muitos anos atrás, houve um dilúvio.
O mar trouxe até ao hoje chamado “Monte da Penha”, uma imensidão de penedos, a boiar à tona da água.
Quando, finalmente, a água desapareceu, deixou os penedos em posições espantosas que ainda hoje surpreendem os seus visitantes.

Esta lenda foi-me transmitida pela minha avó, Emília Novais, à minha mãe, Maria de Lurdes Novais Fernandes e a mim, Domingas Silva

(original constante do dossiê “Ler+Mar)



Poema escrito a partir da lenda

Penedos da Penha



Há muitos anos atrás

Houve uma grande chuvada

Que deixou Guimarães

Completamente inundada



O mar subiu tanto

Que trouxe penedos a boiar

Quando a água desapareceu

Ficaram em posições de espantar



A partir dessa data

A cidade está ameaçada

Se se mover um certo penedo

Volta a haver enxurrada



Mas, nunca se sabe

Se é verdade

Se é lenda

Ou realidade

                     Ana Beatriz, António, Beatriz e Mariana, 4º ano, Pegada




                                                          3º ano, Pegada

domingo, 17 de julho de 2016

Mar-vento-estrela polar-lua-sol


Texto-fonte
Mar-vento-estrela polar-lua-sol

«O mar queria governar; mas o vento não o deixava, porque ou soprava com tal violência que metia a pique tudo o que por ele corria (navio?), ou parava de todo, o que também o contrariava. O mar foi então à Estrela Polar para ela pedir à Lua que conseguisse do vento que o deixasse governar. A estrela dirigiu-se à Lua a fazer-lhe o mesmo pedido; mas esta respondeu que nada pediria ao vento que era colérico e intratável, mas que pediria ao seu irmão Sol. Assim o fez; mas o Sol escusou-se primeiro com repetir que o vento era muito audacioso e colérico e perigoso, por entrar por toda a parte; por fim sempre consentiu em fazer o pedido ao vento que não cedeu da sua liberdade de soprar quando e como quisesse, ficando por isso as coisas na mesma e o mar governando apenas quando o vento lho consentia.»


Fonte BiblioSARMENTO, Francisco Martins Antígua, Tradições e Contos Populares Guimarães, Sociedade Martins Sarmento, 1998, p.191

Poema escrito a partir da lenda

Mar-vento-estrela polar-lua-sol

O mar queria governar
Mas o vento não deixava
Porque o desgraçado
Ou soprava, ou amansava

Então, o mar foi falar
Com a estrela polar
Para que pedisse à lua
Que o vento fizesse parar

Logo a estrela foi
À lua dizer
O que o mar pedira
Mas ela nada podia fazer

Então, a lua
Ao sol foi falar
P’ra ver se dizia ao vento
Para parar de soprar

O sol recusou-se
E não quis lá ir
Pois o vento era mau
E ele nada lhe queria pedir

Mas o rei sol
Do mar teve pena
Foi ao vento pedir
Uma brisa serena

Só que o vento
Não quis mudar
E só às vezes
Pode o mar governar

                                Ana Luísa, Diogo e Francisco, 4º ano, Pegada
                                  
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                                                                                                              EB2,3 Egas Moniz

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Da Penha vê-se o mar"


Chamem-me Ismael”, assim começa um dos mais espantosos romances da literatura, em que o mar e o fascínio que este lança sobre os homens e mulheres de todos os tempos, é o personagem principal. Falamos, claro está, de Moby Dick, de Herman Melville. Tal como Ismael nos conta «…Vejam as multidões que aí comtemplam a água. Deambulem pela cidade numa lânguida tarde de domingo…O que veem? Postados como sentinelas silenciosas por toda a cidade, são aos milhares os mortais com o olhar sonhador perdido no oceano…», também gerações e gerações de habitantes deste burgo medievo, sentiram e sentem o apelo do Mar.


E àqueles, de outros tempos, que nunca o viram, apesar da curta distância que nos separa do litoral, chegavam notícias prodigiosas das riquezas e perdições que o Mar trazia e levava e, descendo mais no poço do tempo, ainda se encontram histórias de saqueadores - gigantes loiros - vindos do norte da Europa e que subiam pela foz do rio Ave até às mais prósperas povoações. Múltiplas são pois as referências ao mar, quer na tradição popular quer na tradição literária (por exemplo “os Pescadores” de Raul Brandão, autor intrinsecamente ligado a esta cidade e concelho).


Assim, desde a noite dos tempos, se foram construindo lendas, tradições e saberes em torno do Mar, como, por exemplo, a do “Olho Marinho” ou “Braço de Mar” que, segundo a tradição oral e os registos do “pai” da arqueologia portuguesa, o vimaranense Martins Sarmento, se traduzia numa imensa corrente subterrânea de mar que ligaria os pontos mais altos do concelho (monte da Penha, monte da Senhora dos Montes…) ao litoral. E o desejo e apelo do Mar é tão forte que há quem jure, a pés juntos, que se consegue, do alto da Penha, em dias propícios, ver o mar da Póvoa de Varzim. Cidade esta que ocupa um lugar incontornável nas memórias da cidade e do concelho pois foi, desde “sempre”, a praia para onde rumavam os vimaranenses e cuja importância vemos refletida no livro «A Construção Social da Praia» da investigadora vimaranense Helena Ferreira Machado.

É pois no profícuo cruzamento das lendas, contos e saberes do mar – orais e escritos - com as representações que dele fazemos que se vai articular o presente projeto.


Deixamos aqui um belíssimo texto constante do anuário de  1992-1993 da ACIG (Associação Comercial e Industrial de Guimarães) sobre o Monte da Penha.

    Monte da Penha

    Da Penha




sábado, 28 de maio de 2016

Ler+Mar: "Da Penha vê-se o mar"


Ciência na Escola: "A água dos pólos"
As bibliotecas do 1º ciclo e secundária realizaram a atividade proposta pelo Kit do mar, intitulada "a água dos pólos", em articulação com alguns professores do 1º ciclo e a professora que leciona a disciplina de Ciências Físico-Químicas, Ana Isabel Silva, que coordenou a experiência. 

Como está referenciado na ficha respeitante “à água dos pólos” (Kit do Mar) a atividade em causa inseria-se na área curricular de Estudo do Meio. Neste caso, as turmas tinham terminado ou encontravam-se a finalizar os conteúdos respeitantes ao Estudo do Meio.
Dominavam a linguagem que a professora Ana Isabel usou ao longo da experiência e estavam muito sensibilizados para o tema. Isso permitiu uma interação muito profícua, já que os jovens tiveram, ao longo das diversas experiências, uma intervenção ativa, ora participando na própria experiência ora colocando questões reveladoras do seu interesse pelo tema.

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